Assuntos com potencial de impacto institucional exigem um cuidado especial: evitar narrativas e trabalhar de forma estruturada. Na Gestão de Riscos, isso significa sair do “parece grave” e ir para: qual é o evento crítico, quais são as causas, quais controles barram o caminho e o que acontece se as barreiras falharem. Foi com esse objetivo que aplicamos a Análise BowTie (padrão QSP) ao “Caso Master”, buscando uma representação clara e auditável do risco institucional ao País.
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O que é o “Caso Master” e por que ele é importante
O caso do Banco Master é uma investigação que envolve suspeitas de fraudes e irregularidades financeiras que culminaram na liquidação extrajudicial do banco pelo Banco Central e, depois, em novas fases de apuração pela Polícia Federal. As autoridades investigam indícios de crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro, entre outros.
Além do impacto potencial para credores e para o sistema financeiro, o caso ganhou dimensão institucional porque as apurações e reportagens indicam conexões e possíveis influências em círculos de alto escalão em Brasília — tema que está sendo esclarecido a partir de medidas investigativas autorizadas e análise de registros financeiros e fiscais. Até aqui, portanto, o que se tem é um quadro de fortes indícios em apuração, com consequências que podem ir além do financeiro e atingir confiança pública, governança e estabilidade institucional.
Foi justamente por isso que aplicamos a Análise BowTie (padrão QSP): para sair do “ruído das manchetes e redes sociais” e estruturar, com rigor e rastreabilidade, (i) quais causas podem conduzir a um evento de crise institucional, (ii) quais controles preventivos deveriam impedir a escalada, (iii) quais controles reativos limitariam danos se o evento ocorrer, (iv) quais fatores de intensificação podem degradar controles e acelerar o efeito dominó, e (v) quais consequências podem resultar se os controles/barreiras falharem.
Em resumo: nossa intenção foi transformar um caso grave e complexo em um mapa de governança e decisão, com prioridades claras e possíveis responsáveis por sua execução. Confira a seguir!
Por que a BowTie para um caso de alta gravidade potencial
A Análise BowTie é útil quando:
• há múltiplas causas possíveis convergindo para um evento crítico;
• a discussão tende a virar interpretação, em vez de arquitetura de controles;
• é necessário deixar explícito o que é prevenção, o que é reação e o que é degradação de controles.
Em temas institucionais, o ganho é ainda mais evidente: a análise torna-se um mapa de governança com responsabilidades, pontos de verificação e prioridades de ação.
Estrutura do modelo
A Análise BowTie executada pelo RAQ - Risk Assessor QSP organiza o raciocínio em cinco blocos:
• Fonte de Risco (FR)
O conjunto de pressões e fragilidades sistêmicas que alimenta o problema.
• Evento Topo (ET)
A ruptura central que separa o “antes” do “depois”. É o ponto de não-retorno operacional: quando ocorre, o foco passa de reduzir as consequências e recuperar o controle da situação.
• Causas (C) e Controles Preventivos (CP)
É o lado esquerdo do diagrama BowTie.
Cada causa deve ter controles preventivos em paralelo (por padrão), porque controles não devem depender uns dos outros “por suposição”. Encadeamento só faz sentido quando existe dependência explícita.
• Controles Reativos (CR) e Consequências (K)
É o lado direito do diagrama BowTie.
O objetivo é limitar a escalada, reduzir severidade e acelerar recuperação. Aqui, “ter plano” não basta: controle reativo precisa ser gatilho + responsável + tempo.
• Fatores de Intensificação (FI) e Barreiras à Intensificação (BI)
O que degrada controles e acelera a crise (por exemplo: falhas de comunicação, atrasos, indisponibilidade, ruído institucional). Cada FI precisa de sua BI correspondente, porque “degradação” sem contenção vira fatalismo, não gestão.
O que a análise evidencia (sem entrar em narrativas)
A aplicação da metodologia BowTie permite enxergar com clareza:
• Onde a prevenção é estruturalmente frágil (controles existem, mas são vulneráveis à degradação).
• Onde a reação depende de tempo (e tempo, neste caso, é variável crítica).
• Quais controles são realmente estratégicos (aqueles que cortam múltiplas rotas de causa → evento topo).
• Quais consequências são mais sensíveis à falha de contenção (impacto institucional tende a ser cumulativo).
Avaliação preliminar de controles
Além do diagrama BowTie produzido pelo RAQ - Risk Assessor QSP (ver abaixo), o trabalho incluiu uma avaliação preliminar dos controles, com foco em:
• tipo (preventivo/reativo),
• eficácia estimada (alta/média/baixa),
• condições de funcionamento (pré-requisitos),
• e observações de melhoria/monitoramento.
O objetivo não foi “dar uma nota”, mas priorizar; ou seja: fortalecer o que evita o ET e garantir que o que reduz impactos esteja pronto para operar sob estresse.
Conclusão
Em temas de alta gravidade potencial, como esta do 'Caso Master', a pergunta não é “isso é sério?” — a pergunta é:
quais rotas levam ao evento crítico, quais controles as bloqueiam e o que acontece se houver degradação?
A Análise BowTie ajuda porque transforma complexidade em decisão: prevenção verificável + reação preparada + degradação controlada.
Como acessar o Relatório e o Diagrama BowTie do 'Caso Master'
O arquivo com a íntegra do Relatório pode ser visualizado abaixo ou acessado diretamente por aqui. O Diagrama, no formato SVG (para ser aberto em qualquer navegador), está disponível aqui [utilize o zoom do navegador (Ctrl+ / Ctrl−) para explorar melhor o diagrama].
NOTA FINAL: Os leitores que tiverem interesse em se capacitar na aplicação de técnicas de identificação, análise e avaliação de riscos utilizando Inteligência Artificial por meio do nosso RAQ - Risk Assessor QSP, como fizemos no 'Caso Master' executando a Análise BowTie, recomendamos acessar esta página (ou clicar na imagem abaixo).
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